CARTA A UM MENINO QUE NÃO CHEGOU A NASCER (ORIANA FALLACI)
Este Livro publicado em meados dos anos setenta, representa o eterno problema entre a vida e a morte, daqueles que se apoderam do livre arbítrio de decidir quem vive ou quem morre, como um criador de gado, decidindo as reses que estão prontas para seguirem para o matadouro, e aquelas que conseguem uma moratória de viverem mais uns meses.
Este Livro publicado em meados dos anos setenta, representa o eterno problema entre a vida e a morte, daqueles que se apoderam do livre arbítrio de decidir quem vive ou quem morre, como um criador de gado, decidindo as reses que estão prontas para seguirem para o matadouro, e aquelas que conseguem uma moratória de viverem mais uns meses.
Decididamente os deuses com direito de vida ou de morte não existem, se os deuses não existem, muito menos um ser humano pode tomar nas suas mãos a decisão e a escolha de decidir quem vive ou quem morre. Hoje a arbitrariedade reinante nos tribunais portugueses na decisão de entrga de crianças abandonadas ou em disputa entre pais sobre a tutela de um ser humano indefeso, sem poder e sem consciência de decisão, parece-me mais um crime do que uma lei num estado de direito. Segura e paulatinamente a civilização moderna aproxima-se do pólo oposto, das primeiras pré-civilizações, em que no ano em que nascessem muitas crianças do sexo feminino e poucas do sexo masculino, era costume matar à nascença as crianças do sexo feminino. Parece-me que na biologia a ciência está a ocupar e a tomar decisões levianas e humanamente pouco éticas, ao entregar a decisão das suas descobertas ao poder político. Do mesmo modo que os fisicos venderam as suas descobertas de armas de destruição massiva a governos tiranos que não tiveram pejo em as usar na morte de milhões de civis inocentes.Pior pode ainda acontecer se os cientistas se puserem ao serviço de empresas privadas, cujo lucro é o principal objectivo sem respeito pela vida humana. A igeja vive de dogmas retrógrados que tanto atrasaram o desenvolvimento do homem. Porém, a ciência sem regras e sem normas pode-se tornar uma arma perigosa para a sociedade, levando esta a uma mecanização sem alma e sem sentimentos. Com o planeta em plena e acelerada mudança ambiental e climática, resta-nos a fé e a crença que os cientistas consigam remendar um mundo cheio de buracos. Mas terão de ser os próprios cientistas a ter as rédeas de comandarem as suas descobertas e nunca políticos ambiciosos e corruptos. A venalidade humana vai nos conduzindo de descoberta em descoberta até à destruição final. Já temos o aborto, prepara-se o caminho para a eutanásia, o que poderá vir a seguir a preparação de que só tem direito á vida, aquele sujeito que tiver padrões de perfeição exigidos pelos mandantes de uma sociedade de loucos e assassinos. A diferença é escassa entre a civilização do século XXI e o holocausto de meados do século XX. O homem nunca aprende, ou se aprende é a maneira de construir a sua própria destruição.










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